pH do cabelo: o que é e por que ele faz tanta diferença nos fios?

pH do cabelo: o que é e por que ele faz tanta diferença nos fios?

Beleza também é ciência

Quando observamos um cabelo bonito, geralmente percebemos primeiro aquilo que os olhos conseguem enxergar: o brilho, a maciez, o alinhamento, o movimento e a textura. Mas por trás de tudo isso existe uma série de fatores físicos e químicos que influenciam diretamente a forma como a fibra capilar se comporta.

Entre esses fatores está o pH, um conceito muito citado no universo dos cosméticos, mas nem sempre explicado de maneira clara.

Você provavelmente já ouviu alguém dizer que determinado shampoo possui pH baixo, que uma máscara é mais ácida ou que algum produto apresenta característica alcalina. Essas informações podem parecer apenas detalhes técnicos, mas o pH faz parte de uma estrutura muito maior que envolve formulação, comportamento da fibra e finalidade de cada cosmético.

Entender esse conceito é um dos primeiros passos para enxergar o cabelo além da aparência.

Afinal, o que é pH?

O pH é uma medida utilizada para indicar o grau de acidez ou alcalinidade de uma solução. Sua escala normalmente varia de 0 a 14. Valores abaixo de 7 são considerados ácidos, o valor 7 é neutro e valores acima de 7 são considerados alcalinos.

De forma simples, quanto menor o valor do pH, mais ácido é aquele meio. Quanto maior, mais alcalino.

Mas existe uma informação fundamental que precisa ser compreendida desde o início: um produto apresentar pH mais baixo não significa automaticamente que ele seja melhor. Da mesma forma, um pH mais elevado não significa, sozinho, que uma formulação seja ruim.

Tudo depende da finalidade daquele produto e de como sua formulação foi desenvolvida.

O que o pH tem a ver com o cabelo?

Para entender a relação entre pH e cabelo, precisamos primeiro observar a estrutura da fibra capilar.

A região mais externa do fio é chamada de cutícula. Ela é formada por camadas microscópicas sobrepostas que funcionam como uma proteção para as regiões internas da fibra.

Podemos imaginar essas cutículas como pequenas placas organizadas ao redor do fio. O comportamento dessa superfície pode ser influenciado por diferentes fatores, como água, temperatura, atrito, procedimentos químicos, ingredientes cosméticos e também pelas condições de pH às quais o cabelo é exposto.

Dependendo dessas condições, podem ocorrer alterações no grau de inchaço da fibra, nas interações entre cargas elétricas presentes no cabelo e no próprio comportamento de sua superfície.

Essas mudanças nem sempre são visíveis imediatamente, mas podem ser percebidas no toque, no desembaraço, no brilho e na aparência geral dos fios.

O que percebemos quando a fibra está mais organizada?

Quando a superfície do cabelo está melhor condicionada e organizada, é comum percebermos fios com mais brilho, maciez, alinhamento e facilidade ao pentear.

Já cabelos sensibilizados podem apresentar características diferentes: maior sensação de aspereza, embaraçamento, frizz, opacidade e dificuldade de alinhamento.

Isso, porém, não significa que o pH seja o único responsável por determinar se um cabelo está saudável ou danificado.

A condição da fibra é resultado de diversos fatores acumulados ao longo do tempo.

Histórico químico, frequência de procedimentos, temperatura utilizada em ferramentas térmicas, características individuais do cabelo, produtos utilizados e rotina de cuidados também fazem parte dessa equação.

O pH é importante, mas ele é apenas uma parte da história.

Produto ácido é sempre melhor?

Essa é uma das maiores simplificações encontradas quando começamos a estudar pH.

A resposta é não.

Um produto ser ácido não significa automaticamente que ele seja superior a outro. Cosméticos diferentes possuem funções diferentes e, consequentemente, podem exigir características de formulação distintas.

Um shampoo foi desenvolvido com determinada finalidade. Uma máscara possui outra função. Um condicionador, uma coloração ou um produto utilizado em um procedimento químico também apresentam objetivos específicos.

Por isso, não existe uma regra universal dizendo que o melhor produto será sempre aquele com o menor pH possível.

O conhecimento está justamente em compreender que cada formulação precisa ser desenvolvida de acordo com aquilo que se propõe a fazer.

E os produtos alcalinos?

Também seria incorreto afirmar simplesmente que um produto alcalino “faz mal” ao cabelo.

Em determinados processos cosméticos e químicos, condições mais alcalinas podem ser necessárias justamente para que determinada transformação aconteça.

A avaliação de um cosmético não pode ser feita observando apenas um único número.

Para compreendê-lo corretamente, é necessário considerar qual é sua finalidade, quais matérias-primas fazem parte da formulação, como o produto deve ser utilizado, por quanto tempo permanecerá em contato com o cabelo, qual protocolo será realizado posteriormente e, principalmente, qual é a condição inicial da fibra.

É por isso que produto e técnica precisam caminhar juntos.

Dois cabelos podem reagir de maneiras diferentes

Imagine dois cabelos aparentemente semelhantes.

O primeiro nunca passou por procedimentos químicos. O segundo possui um histórico de descoloração, coloração e outras transformações.

Mesmo que ambos recebam exatamente o mesmo produto, isso não significa que a resposta dos fios será idêntica.

Cada cabelo carrega uma história.

Porosidade, resistência, elasticidade, espessura, danos acumulados e procedimentos anteriores podem interferir no comportamento da fibra.

Essa é uma das razões pelas quais a avaliação profissional se torna tão importante, especialmente antes de transformações químicas.

Um cabelo pode apresentar uma aparência bonita e ainda possuir sinais de fragilidade que precisam ser observados. Da mesma maneira, outro cabelo pode parecer bastante ressecado, mas manter características diferentes de resistência e elasticidade.

O diagnóstico não deve ser feito apenas pela aparência.

É preciso compreender o fio.

O pH nos cabelos quimicamente tratados

Alisamentos, colorações, descolorações e outras transformações químicas podem provocar alterações importantes na fibra capilar.

Quanto maior e mais complexo o histórico químico, maior deve ser a atenção durante a avaliação.

Nesse contexto, entender conceitos como pH, porosidade, resistência e elasticidade permite ao profissional tomar decisões mais conscientes.

Não se trata apenas de escolher um produto.

Trata-se de compreender qual cabelo está recebendo aquele produto.

Essa diferença muda completamente a forma como enxergamos os procedimentos químicos.

E as máscaras capilares?

As máscaras costumam ser associadas a tratamento, condicionamento e maciez. Mas, novamente, não é somente o pH que determina sua performance.

Uma máscara pode reunir agentes condicionantes, óleos, manteigas, proteínas, aminoácidos, umectantes, silicones, extratos, polímeros e diversas outras matérias-primas.

É o conjunto da formulação que determina a experiência daquele produto.

Por isso, duas máscaras podem apresentar valores de pH próximos e, ainda assim, proporcionar resultados sensoriais completamente diferentes.

Avaliar um cosmético exige olhar para o conjunto, não apenas para uma característica isolada.

E o shampoo?

O mesmo princípio se aplica aos shampoos.

Embora a limpeza dos fios e do couro cabeludo seja uma de suas principais funções, existem shampoos formulados para necessidades e situações bastante diferentes.

Alguns são desenvolvidos para o uso cotidiano. Outros são direcionados a cabelos submetidos a procedimentos químicos. Há ainda fórmulas utilizadas dentro de protocolos profissionais específicos.

Por isso, perguntar apenas “qual é o pH desse shampoo?” não é suficiente para determinar sua qualidade.

Antes disso, precisamos perguntar:

Para que esse shampoo foi desenvolvido?

Essa pergunta muda completamente a análise.

O erro de avaliar um cosmético por um único número

No universo da beleza, informações técnicas muitas vezes são simplificadas até se transformarem em regras absolutas.

Com o pH, isso acontece com frequência.

Mas ciência não funciona dessa forma.

Um único número não determina a qualidade de uma formulação.

É como tentar avaliar um automóvel observando somente a potência do motor. A potência é importante, mas também existem freios, suspensão, transmissão, estabilidade, segurança e inúmeras outras características trabalhando simultaneamente.

Com um cosmético acontece algo parecido.

O pH importa.

Mas ele faz parte de um sistema muito maior.

Como o pH de um cosmético é medido?

Dentro do desenvolvimento e do controle de qualidade, o pH pode ser avaliado por meio de um equipamento chamado pHmetro.

Para que a análise seja confiável, o equipamento precisa estar devidamente calibrado e ser utilizado conforme o método definido para aquele tipo de formulação.

Dependendo das características do produto, também pode ser necessária uma preparação específica da amostra antes da leitura.

Isso mostra que medir pH profissionalmente envolve muito mais do que simplesmente inserir um aparelho dentro de qualquer cosmético.

Existe método.

Existe controle.

Existe registro.

E esses processos são parte importante da rotina de qualidade dentro da indústria cosmética.

Por que o controle de pH é importante?

Durante a produção de um cosmético, diferentes características podem ser acompanhadas para verificar se aquele lote permanece dentro dos parâmetros definidos para a formulação.

O pH pode ser uma dessas características, assim como aspecto, cor, odor, homogeneidade, viscosidade e densidade, quando aplicáveis.

Esses controles ajudam a identificar alterações e contribuem para a padronização entre diferentes produções.

Esse é um dos motivos pelos quais falar de cosméticos profissionais também significa falar sobre controle de qualidade, desenvolvimento e responsabilidade técnica.

Formulação é equilíbrio

Desenvolver um cosmético não significa simplesmente escolher vários ingredientes considerados bons e misturá-los.

Uma formulação é construída a partir de equilíbrio.

Matérias-primas, concentrações, compatibilidade entre ingredientes, pH, viscosidade, estabilidade, sensorial, modo de aplicação e finalidade do produto precisam conversar entre si.

É essa combinação que transforma diferentes ingredientes em uma formulação cosmética.

Por isso, quando falamos em tecnologia capilar, precisamos abandonar a ideia de que um único ingrediente ou um único número consegue explicar toda a performance de um produto.

Conhecimento muda a maneira como enxergamos o cabelo

Quando começamos a compreender conceitos como pH, porosidade, cutícula, resistência e estrutura capilar, deixamos de observar o cabelo somente pela aparência.

Passamos a tentar compreender seu comportamento.

E essa mudança de perspectiva é especialmente importante para quem trabalha profissionalmente com transformações capilares.

Porque uma boa técnica não começa no momento em que o produto toca o cabelo.

Ela começa no conhecimento.

No Universo Sucess, beleza também é conhecimento

A Sucess Lissie nasceu da experiência com cabelos reais.

E quanto mais estudamos a fibra capilar, mais percebemos que resultados consistentes não dependem apenas de um produto.

Eles surgem da união entre tecnologia, formulação, diagnóstico, técnica, conhecimento e cuidado.

É justamente esse universo que queremos explorar neste espaço.

Mais do que mostrar cabelos bonitos, queremos compreender a ciência que existe por trás deles.

Porque, quando conhecemos melhor o cabelo, também aprendemos a cuidar dele de maneira mais consciente.

Performance que transforma. Cuidado que respeita.

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